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Programa Brasileiro de
Busca de Supernovas




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O catálogo de galáxias

Um erro freqüente em programas de busca de supernovas é utilizar os catálogos usuais em sua forma não-otimizada quanto às probabilidades. Por exemplo, usar simplesmente todo o catálogo NGC, sem levar em conta os fatores que determinam a taxa de ocorrência de SN extragalácticas. Ora, de acordo com estes fatores, a probabilidade de ocorrência varia grandemente: por exemplo, estima-se que a Grande Nuvem de Magalhães apresente uma SN a cada 700 anos, enquanto que na Via Láctea esta taxa é de cerca de duas SN por século, e, num caso mais extremo, em NGC 6946, foram registradas nada menos de oito SN nos últimos cem anos.

Existe na literatura uma série de papers que descrevem as relações entre as taxas de ocorrência de SN extragalácticas e diversos parâmetros astrofísicos como a massa da galáxia (ou sua luminosidade), seu tipo morfológico, inclinação, dimensões , redshifts, e outros. A maior parte desses artigos se baseia nos dados estatísticos de descobertas de SN desde os trabalhos pioneiros de Fritz Zwicky e colaboradores na década de 1930. Alguns exemplos são as referências (3) a (8). O desenho de nossos catálogos parte dos catálogos ESO-Uppsala, UGC, PGC, NGC e IC, e leva em conta, como critérios de seleção, todas as relações definidas nesses artigos, bem como as condições específicas de nosso instrumental. Como critério adicional, limitamos nossa amostra às galáxias austrais (ao Sul da declinação -17°, de tal forma a abranger a região menos explorada pelos outros programas internacionais de busca de SN.

Como resultado, nossos catálogos são geralmente mais compactos que os de outros programas (a versão 1.0, usada até abril de 2005, contém 1200 galáxias; a versão 2.0, que deverá ser usada a partir de maio de 2005, contém pouco mais de 3600 galáxias); porém nossa probabilidade de ocorrência parece ser realmente maior que naqueles. Nossos primeiros resultados parecem confirmar essa expectativa, embora nossa amostra ainda seja pequena para levar a conclusões definitivas: sete SN foram descobertas em cerca de 21 000 imagens adquiridas - ou seja, uma SN a cada 3000 imagens, versus um numero geralmente aceito de 5000 imagens para cada SN. Esta otimização é particularmente útil quando se consideram as condições climáticas relativamente desfavoráveis dos céus brasileiros, com reduzido número de noites disponíveis.

Referências:

(3) Cappellaro et al, The Rate of Supernovae, Part I, A&A 268: 472-482, 1993
(4) Cappellaro et al, The Rate of Supernovae, Part II, A&A 273: 383-392, 1993
(5) Cappellaro et al, The Rate of Supernovae from the combined sample of five searches, A&A322:431-441,1997
(6) Cappellaro, E., The Rate of Supernovae, Mem.Soc.Astron.Ital.,72:863-866,2001
(7) Tammann, Löffler, Schröder, The Galactic Supernovae Rate, ApJS 92: 487-493, 1994
(8) Van den Bergh, Li and Filipenko, Classifications of Host Galaxies of Supernovae, arXiv : astro-ph/0204298 v1, 2002